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A representatividade lésbica em A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

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Eu já falei algumas vezes que não sei preferir coisas, mas A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas com certeza está na minha lista de melhores animações de todos os tempos. O título é bem explicativo: a família Mitchell precisa salvar o mundo da dominação dos robôs. Confesso que fiquei com um pouquinho de preguiça quando soube que esse era o enredo da narrativa porque, embora eu goste muito de filmes apocalípticos, eu sou mais fã de catástrofes ambientais (tá, de tsunamis) do que de máquinas se rebelando contra a humanidade. Mas, assistindo ao desenho, eu percebi que o roteiro tem camadas muito interessantes, e uma delas é a representatividade. Me arrisco a dizer que Katie Mitchell é lésbica, por causa das cores utilizadas no filme, principalmente nos grafismos.

Lésbica ou não, Katie é uma das únicas personagens de animação abertamente LGBT+. Se a questão da sexualidade em a A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é oficial, a representatividade neurodivergente é mais uma teoria criada pelo público. Em inglês, existe um conceito chamado “autism coding”: quando personagens possuem muitos traços autistas, com os quais pessoas autistas se identificam, mas que não são abertamente autistas porque em nenhum momento a obra aborda essa questão (falei um pouco a respeito disso no meu vídeo sobre The Wilds). Quando eu vi A família Mitchell e a Revolta das Máquinas pela primeira vez, como muitas pessoas, eu tive certeza de que Aaron é autista: uma criança de oito anos, com hiperfoco em dinossauros. 

Há, ainda, diversos indícios de que os Mitchell são atípicos. O próprio pai afirma que eles só escaparam da dominação dos robôs porque são estranhos (ou weird, na versão em inglês). E essa é a parte mais incrível do desenho! A família Mitchell não corresponde a um padrão de normalidade e de comportamento. Eles são considerados estranhos, excêntricos, esquisitos, mas nada disso é apresentado como um problema. Pelo contrário: foi por causa do que os Mitchell tinham de “diferente” que eles salvaram o mundo. 💛

Ativismo e política

20/08/2025