Ontem, dia 19 de agosto, foi o Dia Nacional do Orgulho Lésbico no Brasil. Essa data foi instituída oficialmente em 2008, graças a um projeto aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, como símbolo de resistência e de homenagem às militantes envolvidas no levante do Ferro’s Bar.

Em 1981, começou a circular no país o Chana com Chana, o primeiro jornal feito por e para mulheres lésbicas, criado pela GALF (Grupo de Ação Lésbica Feminista).

Essa publicação era artesanal, uma espécie de fanzine, e era distribuída em diversos lugares, como, por exemplo, num bar de São Paulo, chamado Ferro’s Bar. Esse estabelecimento, a partir da década de 60, em plena ditadura militar, passou a ser frequentado por lésbicas e se tornou um dos poucos lugares públicos onde a nossa comunidade podia se encontrar e socializar com certa segurança, num contexto marcado pela repressão, pela violência e pela perseguição política.
Por ser um bar frequentado pelas lésbicas de São Paulo, fazia todo sentido que o Chana com Chana circulasse naquele espaço. O problema é que, certa noite, o proprietário do Ferro’s Bar proibiu a comercialização do jornal, porque, segundo ele, aquele conteúdo era um atentado aos bons costumes. Ou seja, as lésbicas serviam para dar dinheiro, desde que ficassem quietas e comportadas, sem atrapalhar os cidadãos de bem.
No dia 19 de agosto de 1983, as ativistas da GALF invadiram o Ferro’s Bar e realizaram um protesto contra a censura, apoiadas por artistas, militantes, grupos LGBT e até políticos, como Irede Cardoso e Eduardo Suplicy. A manifestação foi tão expressiva que o dono do Ferro’s bar voltou atrás e permitiu que o Chana com Chana circulasse no estabelecimento.
